Você já parou para pensar sobre a importância da ciência no seu dia-a-dia? Não falta ocasião para refletir sobre o assunto. Você faz coisas tão comuns e rotineiras como ligar a iluminação, lavar suas mãos, aquecer sua refeição ou ligar a televisão que nem se dá conta de como vieram a fazer parte da sua vida. Tudo é tão comum e fácil, tudo faz parte da vida das pessoas há tanto tempo que você nem pensa no que está fazendo, que você nem se interroga sobre “como” e “por quê” é possível fazer tudo isso.
E na televisão? Programas divulgam as mais recentes descobertas científicas, tratando sobre o Universo, o corpo humano e tudo o que existe no nosso planeta. Informam sobre fenômenos naturais espetaculares como os tsunamis, ou as mais recentes fotos de Saturno enviadas pela sonda Cassini, tão distante de nós.
Nas propagandas também há um lugar para falar de ciência. Falam: este produto foi testado cientificamente. O produto pode ser um sabão em pó, uma pasta de dentes ou qualquer outro. Parece que é importante dar um valor científico ao produto, tornando-o mais confiável.
Mas... como a ciência é produzida? Quando a ciência começou a existir? Como conhecer os fenômenos naturais em nosso cotidiano? A opinião científica é sempre a mesma? O que caracteriza o conhecimento científico?
Desde o momento em que acordamos até a hora de dormir, observamos fenômenos naturais, como o cair da chuva ou o desabrochar de uma flor. Outros fenômenos ocorrem devido à atividade humana, como a iluminação elétrica ou o desmoronamento de uma estrada. O não entendimento de muitos desses fenômenos, além de levar a conclusões superficiais, e muitas vezes supersticiosas, podem causar prejuízos de diversas grandezas. Lavar os alimentos sem cuidado porque não vemos os micróbios a olho nu pode nos contaminar e contaminar nossa família, inclusive crianças pequenas. “Enxergar” os microorganismos e tantos outros eventos com os olhos do conhecimento científico é uma atitude necessária a cada um de nós, e à coletividade.
Algumas vezes atitudes individuais, como no caso da higiene pessoal e dos alimentos, são suficientes para afastar problemas e dificuldades no nosso cotidiano, outras vezes não. A poluição do ar, a escassez de água e epidemias são exemplos de problemas que exigem ações coletivas para sua solução.
Mas para que os conhecimentos sejam compreendidos é necessário mais do que ler com atenção os textos que ensinam Ciências. É necessário aprender a retirar dos textos as informações que realmente nos interessam; sermos ousados para fazer perguntas sobre fatos que passam muitas vezes desapercebidos; pesquisar aquilo que realmente nos intriga; saber fazer um experimento com cuidado e de modo que nos ensine alguma coisa.
É comum encontrar mapas, tabelas, gráficos em livros, revistas e jornais, até mesmo em noticiário da televisão. O que podemos aprender com eles? Como compreender o fenômeno da seca olhando um mapa? Como compreender a necessidade de economizar água olhando um gráfico?
Pensar sobre coisas que sabemos que acontecem sempre, mas que não sabemos ao certo o motivo de acontecerem, pode ser um importante ponto de partida. O despertador que não toca, o leite que azeda, a comida que estraga fora da geladeira, ou o pão que precisa “descansar” para crescer, não acontecem por um único motivo apenas; o desafio é descobrir as variáveis envolvidas nesses eventos, pois eles dependem de várias condições (o calor, o ajuste de botões, a energia elétrica e a atividade de microorganismos, entre outros).
O conhecimento científico nos permite, muitas vezes, entender situações inusitadas como a volta de doenças e epidemias antes controladas e estabelecer a responsabilidade de todos os envolvidos, inclusive eu e você. Assim, podemos responder a interrogações como: por que a dengue está de volta? Como pode uma doença que estava praticamente desaparecida, voltar com tal força? Como se defender contra essa situação?
O estudo das Ciências Naturais adquire mais sentido quando ajuda a sua vida hoje, agora. A idéia é buscar sempre explicar fatos e fenômenos que observamos cotidianamente. Pense nisso enquanto estiver estudando e conversando com pessoas.
Todo o conforto e facilidades da nossa vida cotidiana parecem tão naturais que só nos espantamos e nos preocupamos quando parte dessas coisas “tão naturais” nos falta repentinamente. Ficamos irritados com a falta dessas coisas com as quais estamos habituados desde a infância: apertar um botão e as luzes não se acenderem por falta de energia elétrica, abrir uma torneira e a água não jorrar, ligar o fogão e não ver nascer aquela chama quase invisível, sem cheiro e sem fumaça: isso causa perturbação, isso parece – e às vezes até pode ser - um desastre.
O fato de, quase sempre sem aviso, essas “coisas naturais” nos faltarem em algumas ocasiões - o fato de “não estarem lá” quando precisamos delas – é uma indicação muito clara de que essas coisas pouco têm de “natural”.
Na verdade, antes de serem inventadas, elas não existiam.
Ora, se é assim, se a maior parte daquilo que é a nossa vida cotidiana, nem sempre “esteve aí”,você pode perguntar: como é que surgiram, com base em que foram criadas? Se o mundo no qual os homens vivem é hoje diferente daquele no qual viveram os homens de outras épocas, como e por que isso ocorreu?
O caminho para responder a essas questões passa pelo conhecimento da História. É por meio dela que podemos compreender a evolução da Humanidade e conhecer os meios e os instrumentos do desenvolvimento das sociedades. É através da História que percebemos que as ciências e o conhecimento científico são uma realização humana, uma obra que modificou para sempre a nossa evolução. E ambas se realimentam : a Ciência tem um papel muito importante na direção e no ritmo da História, da mesma forma que a evolução da Ciência é influenciada e mesmo determinada pela história do desenvolvimento das sociedades, ou seja, da política, da economia e da cultura.
“Ciência” é uma palavra em alta nas sociedades ocidentais. Uma lavagem de tapete, um corte de cabelo, um mapa astral ganham outro estatuto quando se afirma que são científicos. Dessa forma, conhecer como produzimos os conhecimentos e como esses conhecimentos são transformados em produtos, em objetos, em instrumentos é muito importante para a compreensão da sociedade contemporânea. Saber como a Ciência opera é muito importante para entender a função desse instrumento capaz de contribuir para a melhoria das condições de vida da Humanidade e também para julgar bons e maus usos que nossa sociedade faz da Ciência e do conhecimento científico.
Ciências da natureza e suas tecnologias, ENCCEJA, 2002.
sexta-feira, 28 de março de 2008
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