segunda-feira, 31 de março de 2008

Sabe aquela régua?




Aquela que todos nós ganhamos no aniversário do Colégio?

Pois é, meu caro. Há uma questão da avaliação mensal especialmente dedicada a esse instrumento. Não se esqueçam: a medição de um objeto precisa ser dada com o número de algarismos que o instrumento oferece. A nossa regüinha mede até 20 cm, com divisões de milímetro em milímetro. Se a precisão de qualquer instrumento pode ser avaliada como a metade da menor divisão, então a sua régua mede comprimentos com precisão de 0,5 mm, ou 0,05 cm.

Sacou? Qualquer medida feita com essa régua precisa ser dada com duas casas depois da vírgula.

Que bom que você veio ler isto aqui, hein?

Balanças





Vamos retomar as informações a respeito do funcionamento de balanças de um prato, como as que usamos aqui no Colégio.

Como já falamos, a balança funciona de modo muito parecido com as gangorras de parques infantis e dos móbiles decorativos. A condição de equiilíbrio fica determinada a partir da posição dos pesos nos braços da balança: nem os pesos e nem as distâncias dos apoios aos pontos de carregamento precisam ser iguais.

Para seu perfeito funcionamento, é preciso inicialmente travar, zerar e nivelar, NESSA ORDEM.
Cada balança precisa trabalhar com seu próprio prato: cada uma foi calibrada com seu prato específico.

Você só pode carregar o prato com o objeto que deseja pesar fazendo, inicialmente, uma avaliação ou estimativa de quanto pesa esse objeto. Aliás, qual é a massa máxima que a sua balança está apta a pesar? Isso você também precisa saber: não dá para pesar um objeto de 1 kg em uma balança que pesa no máximo 100g.

Feita a estimativa, caregue o braço da balança com o valor de sua estimativa. O objetivo desse procedimento é evitar grandes solavancos no aparelho.

Uma dica: faça a estimativa com valores da maior ordem de medidas da balança. Exemplo: os nossos aparelhos apresentam dois ou três braços, portando pesos deslizantes, em geral da ordem de centenas de grama, dezenas de grama e gramas. Não perca tempo tentando adivinhar a massa exata, mas apenas entre quais valores da maior ordem a massa do seu objeto pode estar(neste caso, centenas de grama).

Se você acha que o objeto pesa 250g, tudo bem, coloque 300g. Com a balança ainda travada, coloque delicadamente o objeto no prato. Observe o movimento do conjunto: se o prato subir, é sinal de que você avaliou a massa do objeto para mais, e assim, coloque menos de 300g no braço; se o prato descer, você avaliou para menos,e portanto deve colocar mais de 300g no braço.

Atente para o fato de que, só depois de decidir qual é a massa do objeto em centenas de gramas, voc~e deveria passar para o braço das dezenas de grama, e depois dos gramas. Faça isso até que o fiel da balança não se movimente mais, estabelecendo assim o momento do equilíbrio e o momento de se fazer a leitura da massa.

Vocês podem obter mais informações a respeito de balanças e seu funcionamento aqui:

http://br.geocities.com/saladefisica7/funciona/balanca.htm

Em tempo: as massas dos bloquinhos deverão ser criteriosamente medidas, pois farão parte de um a eustão da avaliação trimestral. Não se esqueçam de eu tenho os valores dessas massas. Dos alunos que fizeram as medidas de massas, apenas dois (DOIS)alunos não fizeram muito feio nas medidas.

Quem avisa amigo é.

sexta-feira, 28 de março de 2008

TEMA 1 - MEDINDO E ORGANIZANDO

Nessa atividade, você vai usar três dispositivos muito comuns na prática científica: a organização de dados em tabelas, o cálculo da média sobre um conjunto de valores e o arredondamento de um resultado numérico.



A HORA DO TRABALHO


1. As idades dos participantes de um time de volleyball são: 18, 17, 16, 18 e 15. Encontre a média aritmética das idades do time e expresse o resultado, com:
* uma casa decimal: ______________
* nenhuma casa decimal: __________
* duas casas decimais: ­­­­­____________

2. Faça as operações pedidas, com o número de casas correspondentes:
a) com 3 casas decimais
Valores médios são mais significativos que as contagens individuais: características particulares (valores muito altos, muito baixos, etc) são diluídas!b) 19,3² com 3 casas decimais
c) 19,3² com 1 casa decimal

TEXTO 4 DA APOSTILA - MARAVILHAS DO TRANSPORTE MODERNO

A bitola padrão (distância entre os trilhos) das estradas de ferro americanas é de 4 pés e 8 1/2 polegadas. É um número bem esquisito.
E por que esta bitola é usada? Porque é esta a bitola usada na Inglaterra, e as ferrovias americanas foram construídas por ingleses.
Mas por que os ingleses usam esta bitola? Porque as primeiras linhas foram construídas pelos engenheiros que construíram os primeiros bondes, e foi essa a bitola usada.
Mas então por que era essa a bitola? Porque o pessoal que construiu os bondes usava os gabaritos e ferramentas para fazer as diligências, que usavam esta bitola.
Tá! Mas por que as diligências usavam esta bitola? Porque se usassem qualquer outra bitola as rodas quebrariam nos sulcos das estradas inglesas, que têm seus sulcos muito uniformemente cavados.
Mas por que as estradas inglesas têm sulcos tão uniformes? Porque as estradas inglesas, como a maioria das velhas estradas européias, foram construídas pelos romanos para a movimentação de suas tropas. E as carroças e as bigas usavam a mesma bitola para não quebrarem nos sulcos das estradas.

Então chegamos à resposta da pergunta original. A bitola padrão das ferrovias americanas é de 4 pés e 8 1/2 polegadas porque deriva das especificações originais das carroças militares do exército romano. Que foram determinadas para que pudessem permitir a passagem de duas bundas de cavalo lado a lado.

Veja uma extensão interessante deste texto:

Quando você vê o Space Shuttle em sua base de lançamento, sempre há dois foguetes propulsores auxiliares presos a ele perto dos tanques de combustível, chamados de SRB (Solid Rocket Booster). Os SRBs são feitos pela Thiokol numa fábrica em Utah. Os engenheiros que os projetaram queriam fazê-los um pouco mais gordos, mas eles deviam ser enviados de trem até Cabo Canaveral. Como existem túneis no caminho, e estes túneis foram construídos para comportarem um trem, cuja largura tem, é claro, aproximadamente a de duas bundas de cavalo. Portanto, o desenvolvimento de um dos maiores projetos de transporte da humanidade foi originalmente determinado pela largura de duas bundas de cavalo romanos.

J. Julio Jr. jjulio@netwave.com.br
(esse texto está amplamente edisseminado pela internet.
Eu cito a fonte de onde o obtive, bem na virada do século).

TEXTO 3 DA APOSTILA - EMBRIAGUEZ COM NÚMEROS

Ninguém é considerado cidadão, hoje em dia, e muito menos um intelectual, se não
souber qual é o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, a circunferência da Terra no Equador, a área da floresta amazônica no Brasil ou quantas patas tem uma aranha.

Vivemos numa época que transformou os números e as cifras em fetiches, a ponto de qualquer relatório com um refogado de dados do Censo de 2000 virar notícia, como logo percebeu o IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No entanto, parece haver cada vez menos capacidade de conhecê-los e manejá-los com propriedade. É um terreno fértil para a manipulação e também para o erro. Quantas vezes já ouvimos notícias que confundem bilhão com milhão?

Números são fascinantes em si mesmos. É isso que justifica a grande popularidade da seção "Matters of Scale" (Questão de Escala) da revista "Worldwatch" (http://www.worldwatch.org/).

Você sabia, por exemplo, que em 1758 estimava-se que havia no mundo cerca de 20 mil espécies vivas, entre vegetais e animais? Hoje já se conhecem, entre plantas, bichos e micróbios, cerca de 1,5 milhão, mas as estimativas apontam para o esbugalhante intervalo de 4 milhões a 100 milhões. É uma maneira sofisticada de dizer que ninguém faz a menor idéia!

Todos os seres humanos sobre a Terra, juntos, pesam alguma coisa da ordem de 250 milhões de toneladas. É uma espécie de peso, pode-se dizer, mas menos pela biomassa, propriamente dita, do que pelos efeitos de sua presença sobre o planeta. Afinal, trata-se de um peso-pena. Só o rascunho de camarão da Antártida conhecido como krill pesa o dobro, coletivamente. E as cianobactérias, que flutuam nos oceanos sem ninguém ver, ganham de lavada: 44 bilhões de toneladas. Bilhões.

Um corpo humano é composto por uma coleção de cerca de 100 trilhões de células. Agora, duro de engolir são quantas bactérias se hospedam em cada organismo da nossa espécie, no meu e no seu corpo, a começar pelos intestinos: 1 quatrilhão. É demais, não?
...................................................................................................................

Em tempo, para o caso de o leitor ter ficado com a pulga atrás da orelha: o PIB brasileiro em 2004 foi de R$ 1,8 trilhão (o equivalente a meio carro popular por cabeça), na linha do Equador a Terra tem uma circunferência de aproximadamente 40 mil km (dez vezes a largura máxima do Brasil), a floresta amazônica se estende por cerca de 4 milhões de km² (metade do território nacional) e toda aranha tem oito patas (e não seis, como os insetos).



FOLHA DE S. PAULO, 21.ago.2005, CADERNO MAIS
Marcelo Leite doutor em Ciências Sociais pela Unicamp, autor do livro
"O DNA" (Publifolha) e responsável pelo blog Ciência em Dia (cienciaemdia.zip.net)



texto adaptado

TEXTO 2 DA APOSTILA - CIÊNCIA E HOLLYWOOD

Infelizmente é verdade: explosões não fazem barulho algum no espaço. Não me lembro de um só filme que tenha retratado isso direito. (Pode ser que existam alguns, mas se existirem não fizeram muito sucesso.) Sempre vemos explosões gigantescas, estrondos fantásticos. Para existir ruído é necessário um meio material que transporte as perturbações que chamamos de ondas sonoras. Na ausência de atmosfera, ou água, ou outro meio, as perturbações não têm onde se propagar. Para um produtor de cinema, a questão não passa pela ciência. Pelo menos, não como prioridade. Seu interesse é tornar o filme emocionante, e explosões têm exatamente este papel: roubar o som de uma grande espaçonave explodindo torna a cena bem sem graça.
Recentemente, o debate sobre as liberdades científicas tomadas pelo cinema tem aquecido. O filme “O Dia Depois de Amanhã” e seu cenário de uma Idade do Gelo ocorrendo em uma semana em vez de décadas ou, melhor ainda, centenas de anos, levantaram as sobrancelhas de cientistas mais rígidos, que vêem as distorções com desdém, e esbugalharam os olhos dos espectadores que pouco ligam se a ciência está certa ou errada. Afinal, cinema é diversão.
Tudo começou em 1902, quando o francês Georges Méliès dirigiu o curta “Uma Viagem à Lua”. No filme, seis aventureiros chegam até a Lua em uma cápsula disparada por um canhão. Após sua chegada, os tripulantes são raptados por habitantes lunares com intenções nada amistosas. Os heróis escapam, empurram a espaçonave da beira da Lua de modo que ela caia sobre a Terra, bem sobre o oceano Atlântico. Tudo no filme está errado, claro. A aceleração de um tiro de canhão potente o suficiente para levar pessoas até a Lua as mataria quase que imediatamente. Cair da Lua é impossível. Desconto a questão dos habitantes lunares, pois na época isso não era sabido. Esse filme, o primeiro de uma nobre linhagem indo até “O Dia Depois De Amanhã”, exagera, inventa ciência para criar um enredo emocionante. A questão então é o que devem fazer os cientistas a respeito, se é que devem fazer algo. Cabe a eles tentar "consertar" a ciência dos filmes, escrevendo cartas e artigos sobre o assunto? Será que faz sentido criticar a indústria cinematográfica pelos erros crassos?
Até recentemente, eu defendia uma posição mais rígida, que filmes devem tentar ao máximo ser fiéis à ciência que retratam. Claro, isso sempre é bom. Mas não acredito mais que seja absolutamente necessário. Existe uma diferença crucial entre um filme comercial e um documentário científico. Documentários devem retratar fielmente a ciência, educando e divertindo a população. Filmes não têm um compromisso pedagógico. As pessoas não vão ao cinema para serem educadas, ao menos como via de regra. Claro, filmes históricos ou mesmo aqueles fiéis à ciência têm enorme valor cultural. Outros educam as emoções por meio da ficção. Mas se existirem exageros, eles não devem ser criticados como tal. Fantasmas não existem, mas filmes de terror, sim. Pode-se argumentar que, no caso de filmes que versam sobre temas científicos, as pessoas vão ao cinema esperando uma ciência crível. Isso pode ser verdade, mas elas não deveriam basear suas conclusões no que diz o filme. No mínimo, cinema pode servir como mecanismo de alerta para questões científicas importantes: o aquecimento global, a inteligência artificial, a engenharia genética, as guerras nucleares, os riscos espaciais como cometas ou asteróides. Mas o conteúdo não deve ser levado ao pé da letra. A arte distorce para persuadir. E o cinema, com efeitos especiais espetaculares, distorce com enorme facilidade e poder de persuasão.

O que os cientistas podem fazer, e isso está virando moda nas universidades americanas, é usar filmes para educar seus alunos sobre o que é cientificamente correto e o que é absurdo. Ou seja, usar o cinema como ferramenta pedagógica. Os alunos certamente prestarão muito mais atenção e será possível educar a população para que, no futuro, um número cada vez maior de pessoas possa discernir o real do imaginário.

FOLHA DE S. PAULO, 31OUT2004, CADERNO MAIS
Marcelo Gleiser - professor de Física Teórica do Dartmouth College, em Hanover

TEXTO 1 DA APOSTILA - UMA INTRODUÇÃO

Você já parou para pensar sobre a importância da ciência no seu dia-a-dia? Não falta ocasião para refletir sobre o assunto. Você faz coisas tão comuns e rotineiras como ligar a iluminação, lavar suas mãos, aquecer sua refeição ou ligar a televisão que nem se dá conta de como vieram a fazer parte da sua vida. Tudo é tão comum e fácil, tudo faz parte da vida das pessoas há tanto tempo que você nem pensa no que está fazendo, que você nem se interroga sobre “como” e “por quê” é possível fazer tudo isso.
E na televisão? Programas divulgam as mais recentes descobertas científicas, tratando sobre o Universo, o corpo humano e tudo o que existe no nosso planeta. Informam sobre fenômenos naturais espetaculares como os tsunamis, ou as mais recentes fotos de Saturno enviadas pela sonda Cassini, tão distante de nós.
Nas propagandas também há um lugar para falar de ciência. Falam: este produto foi testado cientificamente. O produto pode ser um sabão em pó, uma pasta de dentes ou qualquer outro. Parece que é importante dar um valor científico ao produto, tornando-o mais confiável.
Mas... como a ciência é produzida? Quando a ciência começou a existir? Como conhecer os fenômenos naturais em nosso cotidiano? A opinião científica é sempre a mesma? O que caracteriza o conhecimento científico?


Desde o momento em que acordamos até a hora de dormir, observamos fenômenos naturais, como o cair da chuva ou o desabrochar de uma flor. Outros fenômenos ocorrem devido à atividade humana, como a iluminação elétrica ou o desmoronamento de uma estrada. O não entendimento de muitos desses fenômenos, além de levar a conclusões superficiais, e muitas vezes supersticiosas, podem causar prejuízos de diversas grandezas. Lavar os alimentos sem cuidado porque não vemos os micróbios a olho nu pode nos contaminar e contaminar nossa família, inclusive crianças pequenas. “Enxergar” os microorganismos e tantos outros eventos com os olhos do conhecimento científico é uma atitude necessária a cada um de nós, e à coletividade.
Algumas vezes atitudes individuais, como no caso da higiene pessoal e dos alimentos, são suficientes para afastar problemas e dificuldades no nosso cotidiano, outras vezes não. A poluição do ar, a escassez de água e epidemias são exemplos de problemas que exigem ações coletivas para sua solução.
Mas para que os conhecimentos sejam compreendidos é necessário mais do que ler com atenção os textos que ensinam Ciências. É necessário aprender a retirar dos textos as informações que realmente nos interessam; sermos ousados para fazer perguntas sobre fatos que passam muitas vezes desapercebidos; pesquisar aquilo que realmente nos intriga; saber fazer um experimento com cuidado e de modo que nos ensine alguma coisa.
É comum encontrar mapas, tabelas, gráficos em livros, revistas e jornais, até mesmo em noticiário da televisão. O que podemos aprender com eles? Como compreender o fenômeno da seca olhando um mapa? Como compreender a necessidade de economizar água olhando um gráfico?

Pensar sobre coisas que sabemos que acontecem sempre, mas que não sabemos ao certo o motivo de acontecerem, pode ser um importante ponto de partida. O despertador que não toca, o leite que azeda, a comida que estraga fora da geladeira, ou o pão que precisa “descansar” para crescer, não acontecem por um único motivo apenas; o desafio é descobrir as variáveis envolvidas nesses eventos, pois eles dependem de várias condições (o calor, o ajuste de botões, a energia elétrica e a atividade de microorganismos, entre outros).




O conhecimento científico nos permite, muitas vezes, entender situações inusitadas como a volta de doenças e epidemias antes controladas e estabelecer a responsabilidade de todos os envolvidos, inclusive eu e você. Assim, podemos responder a interrogações como: por que a dengue está de volta? Como pode uma doença que estava praticamente desaparecida, voltar com tal força? Como se defender contra essa situação?
O estudo das Ciências Naturais adquire mais sentido quando ajuda a sua vida hoje, agora. A idéia é buscar sempre explicar fatos e fenômenos que observamos cotidianamente. Pense nisso enquanto estiver estudando e conversando com pessoas.


Todo o conforto e facilidades da nossa vida cotidiana parecem tão naturais que só nos espantamos e nos preocupamos quando parte dessas coisas “tão naturais” nos falta repentinamente. Ficamos irritados com a falta dessas coisas com as quais estamos habituados desde a infância: apertar um botão e as luzes não se acenderem por falta de energia elétrica, abrir uma torneira e a água não jorrar, ligar o fogão e não ver nascer aquela chama quase invisível, sem cheiro e sem fumaça: isso causa perturbação, isso parece – e às vezes até pode ser - um desastre.
O fato de, quase sempre sem aviso, essas “coisas naturais” nos faltarem em algumas ocasiões - o fato de “não estarem lá” quando precisamos delas – é uma indicação muito clara de que essas coisas pouco têm de “natural”.

Na verdade, antes de serem inventadas, elas não existiam.

Ora, se é assim, se a maior parte daquilo que é a nossa vida cotidiana, nem sempre “esteve aí”,você pode perguntar: como é que surgiram, com base em que foram criadas? Se o mundo no qual os homens vivem é hoje diferente daquele no qual viveram os homens de outras épocas, como e por que isso ocorreu?
O caminho para responder a essas questões passa pelo conhecimento da História. É por meio dela que podemos compreender a evolução da Humanidade e conhecer os meios e os instrumentos do desenvolvimento das sociedades. É através da História que percebemos que as ciências e o conhecimento científico são uma realização humana, uma obra que modificou para sempre a nossa evolução. E ambas se realimentam : a Ciência tem um papel muito importante na direção e no ritmo da História, da mesma forma que a evolução da Ciência é influenciada e mesmo determinada pela história do desenvolvimento das sociedades, ou seja, da política, da economia e da cultura.

“Ciência” é uma palavra em alta nas sociedades ocidentais. Uma lavagem de tapete, um corte de cabelo, um mapa astral ganham outro estatuto quando se afirma que são científicos. Dessa forma, conhecer como produzimos os conhecimentos e como esses conhecimentos são transformados em produtos, em objetos, em instrumentos é muito importante para a compreensão da sociedade contemporânea. Saber como a Ciência opera é muito importante para entender a função desse instrumento capaz de contribuir para a melhoria das condições de vida da Humanidade e também para julgar bons e maus usos que nossa sociedade faz da Ciência e do conhecimento científico.

Ciências da natureza e suas tecnologias, ENCCEJA, 2002.

Medindo com o corpo

Você lembra como o homem inventou a contagem? Inicialmente ele a fazia utilizando o seu próprio corpo, fazendo com que cada toque correspondesse a um número.





E que motivação teve o homem quando inventou
o sistema decimal? Como tinha dez dedos, escolheu a base dez para fazer as contagens.






É fácil você perceber que o homem encontra primeiro no seu corpo elementos e instrumentos necessários para numeralizar as quantidades; você verificou que o mesmo aconteceu com a medição, com o homem encontrando primeiro no seu corpo a unidade de medida que precisava para numeralizar quantidades contínuas:
Os egípcios criaram o cúbito, o comprimento da ponta do cotovelo à ponta do dedo





Os romanos criaram a milha, que equivalia a mil passos
de um legionário;












Os franceses criaram a braça, o comprimento da ponta
de uma palma à outra, com os braços abertos





Os ingleses criaram a polegada, o pé e a jarda (equivalente a uma passada);






Os nossos caipiras (sul de Minas, São Paulo, norte do Paraná) criaram o alqueire, que é a quantidade de terra que pode ser lavrada por um homem num dia de trabalho; como unidade de medida agrária, seu valor varia conforme a região do país; corresponde a 24.200m² em São Paulo e Paraná, a 27.225m² em alguns Estados do Norte e a 48.400m² em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás e Mato Grosso; é também o volume de grãos de cereais que pode ser colhido num dia de trabalho ou o volume do caldo da cana colhida neste mesmo dia, equivalente a 36,27 litros. Parecida com a onça, não? A onça é a mesma unidade para medidas de volume e de massa.

Nesta prática, mantém-se a ação de comparação e observação da medição por sensação. A idéia nova, a abstração, está na escolha de uma parte do nosso corpo - pé, mão, braço, passada, polegada, etc. - para ser a unidade de medida a ser comparada com a quantidade que se quer numeralizar.


Responda individualmente às questões abaixo:

1) Quais as partes do corpo mais usadas para a medição corpórea?

2) Vamos criar um sistema de múltiplos com as unidades medidas do nosso corpo. Usando o seu próprio corpo, você vai escrever com aproximação:

a) Um pé equivale a quantas polegadas?

b) Um cúbito equivale a quantos pés?

c) E a quantas polegadas?

d) Uma jarda equivale a quantos cúbitos?

e) Uma jarda equivale a quantos pés?

f) Uma braça equivale a quantas polegadas?

g) E a quantas jardas?

h) E a quantos pés?

3) Meça, com valores aproximados, o comprimento de uma caneta em polegadas.


4) Como você procedeu na medição acima?


5) Meça, com valores aproximados, a distância entre a torneira e a beirada da pia do seu banheiro.


6) Como você procedeu na medição acima?


7) As medições de 3) e de 5) tiveram os mesmos procedimentos? Por quê?

Ciência em Película - Lacy Barca

As primeiras representações de cientistas aparecem nos filmes ao mesmo tempo em que são feitas as primeiras experiências de produção usando a película para contar histórias de ficção. O pioneiro foi cineasta
francês Georges Méliès (1861-1938), que, a partir de 1896, buscou explorar as possibilidades do novo invento e desenvolver os recursos da linguagem cinematográfica com truques, movimentos de câmera e efeitos especiais, além de usar luz artificial. A obra-prima de Méliès é Le Voyage dans la lune (Viagem à Lua), de 1902, onde aparece a primeira representação de cientistas na história do cinema. O filme começa com uma reunião na Academia de Astrônomos da França, onde os cientistas discutem a idéia de uma viagem à Lua. As roupas dos membros da Academia são muito semelhantes às dos magos e feiticeiros da ficção. Entre os pioneiros, destaca-se também Thomas Edison (1847-1931) – inventor do cinetoscópio, protótipo do projetor de películas –, o primeiro a retratar Victor Frankenstein, em um curta-metragem em 1910. Nos anos seguintes, o personagem da escritora inglesa Mary Shelley (1797-1851) seria o cientista mais retratado da
história do cinema, com mais de 80 filmes inspirados na figura que desafia os limites da sociedade, em busca do conhecimento. Muitos outros cientistas foram mostrados nas telas ao longo de mais de um século de cinema, causando maior ou menor impacto no imaginário das pessoas.
O sociólogo inglês Andrew Tudor, da Universidade de York, em seu livro Monsters and madscientists: a cultural history ofthe horror movie, analisou quase mil filmes do gênero terror produzidos entre 1931 e 1984. Em mais de um quarto desses filmes (264), a ciência é mostrada como a principal fonte de ameaça à humanidade.
Tudor dividiu a amostra em quatro períodos:
De 1931 a 1950, os cientistas tentam descobrir os segredos da vida, criando novos seres vivos ou modificando os já existentes. Nos filmes da década de 1930, o cientista era uma mistura de clínico, cirurgião e pesquisador, cercado por uma parafernália de substâncias e equipamentos bizarros. Um exemplo é O médico e o monstro –
Dr. Jekyll and Mr. Hyde, de 1931. As substâncias que o dr. Jekyll prepara durante a noite em seu laboratório interferem na essência da vida, transformando o médico abnegado em um ser capaz de cometer atrocidades.

De 1951 a 1964, as imagens da destruição de Hiroxima e Nagasaki imprimem nos filmes a ameaça da energia atômica. O público já sabe que as situações de pavor exibidas nas telas não são obra apenas de personagens fictícios, mas de homens reais, agentes das conquistas da ciência. Típicos do período são os especialistas em armas nucleares combatidos pelo agente britânico James Bond, ou 007 – personagem criado pelo escritor inglês Ian Fleming (1909-1964). Os filmes do período 1965 a 1976 são os que dão menor importância à ciência. É desse período, porém, um dos mais inquietantes filmes de ficção científica de todos os tempos: 2001: uma odisséia no espaço (1968), de Stanley Kubrick, baseado na obra de Arthur C. Clarke. HAL, o computador programado para pensar, retoma o tema central de ‘Frankenstein’, ou seja, da criatura que se revolta contra seu criador. No final da década de 70, a genética e a clonagem humana, entram em cena.
Os Meninos do Brasil (1978) mostra o perigo do uso do conhecimento científico pelo fanatismo político. Nos anos seguintes, as conquistas da engenharia genética batem todos os recordes de bilheteria com Jurassic Park (Parque dos dinossauros, 1993), que transforma a ciência em aventura, num show de efeitos especiais e computação gráfica. Na última década do século 20, aparecem as primeiras mulheres cientistas no cinema. A doutora Ellie Arroway de Contato (1997) é construída como um exemplo a ser seguido pelas jovens americanas do século XXI.
Os professores Denise Lannes e Leopoldo de Meis, da UFRJ, examinaram, em 1998, desenhos feitos por estudantes de três faixas etárias – 5 a 7 anos, 10 a 13 e 15 a 17 – de oito países: Brasil, Estados Unidos, França, Itália, México, Chile, Índia e Nigéria. A imagem do cientista traçada pelas crianças e adolescentes foi a de um homem vestido de jaleco branco, trabalhando em um laboratório com vidraria. O computador, embora esteja hoje na maior parte dos laboratórios, foi ignorado pelos jovens desenhistas.
Teria o cinema contribuído para a construção dessa imagem?


Lacy Barca é gerente de documentação e pesquisa da TVE Brasil

Questões que valem ...

O que é pesquisa?

O que é a "comunidade científica"?

Qual é a diferença entre civilização e cultura?

Você já ouviu falar na sonda Cassini? Quando foi lançada, e onde está agora? E quem foi Cassini?

O que significa a frase ‘PRODUTO DERMATOLOGICAMENTE TESTADO’?

Cite um filme, visto por você, onde ocorre um fato fisicamente impossível. Relaste o fato e declare onde stá a impossibilidade.

Você sabe que a fabricação de um objeto envolve muitos itens, alguns dos quais obedecem a critérios de padronização, outros não. O que significa padronização?

Ciência e Tecnologia

O QUE É CIÊNCIA?

Talvez a melhor definição seja a derivada da palavra latina scientia, que significa literalmente "conhecimento": é uma atividade humana envolvida na acumulação de conhecimento sobre o Universo que nos cerca, mas não é apenas a mera acumulação de conhecimentos: o "conhecimento" em ciência envolve compreensão, correlação, e a habilidade de explicar determinados fatos estabelecidos, geralmente em termos de uma causa física para a ocorrência de um fato observado.

Ciência é todo o saber sistemático, baseado em métodos, com capacidade de comprovação, previsível e que foi agrupado em especialidades. Ou seja, ciência é o estudo da natureza rigorosamente de acordo com o método científico. A tecnologia, por sua vez, é a aplicação de tal conhecimento científico para conseguir um resultado prático.
O exemplo do fogo é muito interessante. Há séculos o homem domina a tecnologia do fogo. O homem sabia que atritando a madeira, ela esquentaria e produziria o fogo. Hoje sabemos que é uma reação de carbono com oxigênio: isso é ciência. A descoberta e o conseqüente uso do fogo foi um ponto chave na evolução tecnológica do homem, permitindo um melhor aproveitamento dos alimentos e o aproveitamento dos recursos naturais que necessitam do calor para serem úteis.
Mas às vezes a ciência se antecipa à tecnologia. A ciência pôde estudar o fluxo dos elétrons em uma corrente elétrica. Este conhecimento foi e continua sendo usado para a fabricação de produtos eletrônicos, tais como semicondutores, computadores e outros produtos de alta tecnologia.
Às vezes, a produção científica é impactada pela demanda de uma necessidade tecnológica: foi o que aconteceu com o nylon, os veículos de movimentação fora do campo gravitacional e as vacinas. A maior parte das novidades tecnológicas costumam ser primeiramente empregadas na engenharia, na medicina, na informática e no ramo militar. Com isso, o público doméstico acaba sendo o último a se beneficiar da alta tecnologia, já que ferramentas complexas requerem uma manufatura complexa, aumentando drasticamente o preço final do produto.

ONDE SE PRODUZ CIÊNCIA HOJE?

De um modo geral, há produção de ciência em universidades, institutos de pesquisa e indústrias. No Brasil, podemos citar como exemplos as universidades federais (onde os professores são, em sua maioria, professores-pesquisadores), os institutos de pesquisa estatais como a Embrapa e a Fiocruz, e empresas como a Petrobras. Em países mais industrializados, a produção científica nas indústrias privadas é bem mais significativa do que no Brasil.

Pesquisa é uma atividade realizada para gerar novo conhecimento

Algumas vezes, ouvimos que a tecnologia é um produto da Ciência, mas na verdade, nem sempre isso acontece. A tecnologia, muitas vezes, avança por ser uma necessidade humana de melhorar suas condições de vida, enquanto a Ciência vai em busca de explicações dos fenômenos naturais, sem uma necessidade imediata.
Entretanto, tanto a Ciência quanto a Tecnologia devem ser discutidas dentro de contextos social, econômico, político, moral e ético, sofrendo pressões da sociedade e interagindo com ela. Não podemos esquecer que os especialistas que trabalham com Ciência e Tecnologia são indivíduos que possuem sua própria identidade e cultura, estando também sujeitos a visões e valores próprios que certamente influenciam nas decisões que tomam em suas atividades.

Tecnologias clássicas:

Agricultura Navegação Roupa Fogo Mineração